Novo disco de Vander Lee traz a essência a um gênero modificado pelo tempo

Sambarroco

Num tempo de samba rock, Sambarroco, porque Minas Gerais tem um jeito diferente de fazer samba. Barroco, sinuoso nos detalhes, exuberante no colorido, desconcertante nas harmonias. E Vander Lee é o cara certo para mostrar esse espírito mineiro que transcende fronteiras. Afinal, não foi de graça que Elza Soares disse que Vander Lee tinha o suingue dos anos 2000.

Partindo do nome, uma ideia antiga, Lee pediu ao violonista Thiago Delegado que convocasse uma banda regional, com duas percussões, um sopro e seu sete cordas e logo começaram a criar e testar o repertório do disco em estúdios, rodas de samba, lugares pequenos e médios onde fossem possível testar as reações da plateia e burilar cada tema com calma e paciência. Aproveitou que começou uma reforma em casa e, enquanto os pedreiros retocavam a construção, construiu o disco no estúdio do selo mais tradicional de Belo Horizonte, o da Bemol.

Vander Lee (crédito Miguel Aun)O disco abre com a faixa que batiza o álbum, Sambarroco. Uma espécie de evocação ao samba de raiz, assim como acontece ao longo do disco, o amor malandro, o amor barroco, o amor em sua pura forma está impregnado nas letras, na parte instrumental, no disco inteiro.

Terno Cinza, talvez a música mais bonita do álbum, realmente busca com sua letra singela realçar a emoção dos relacionamentos; é a saudade, a solidão, uma bossa mineira que lembra o outono do Rio, com “gostinho de ressaca boa” e “uma tristeza elegante”.

Por fim, a lembrança da infância, das expressões que os pais interioranos provocaram o samba rural Vai Assombrar Porco, um “pagode de viola” que trata, com humor, de formas de exclusão e diferenças de classes. O final oficial acontece com a versão com motor, suspensão e lataria do Sambado, que ele havia gravado de voz e violão no disco ao vivo de 2003, e surge com esplendor de grande escola com arranjo cheio de manha de quem tem manha de fazer o carro pra andar em qualquer situação. É, segundo Vander Lee, “a limonada do limão”.

Ao final, Sambarroco é aquele disco diferente, aquela música que conquista logo no começo. Cheio de som bom, de romantismo, da malandragem, do instrumental dançante, esse novo trabalho de Vander Lee – que faz uma ponte com seu último disco, No Balanço do Balaio, lançado em 1999 – é capaz de encantar fãs do samba, da bossa, da vida e do amor.

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