171º Aniversário de uma das maiores compositoras brasileiras

Nasce uma pioneira

Filha de militar de alta patente e negra alforriada, Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847. Recebeu do pai educação digna de uma sinhazinha da corte. Além de escrever, ler e fazer cálculos, estudar o catecismo, aprendeu a tocar piano. Desde muito cedo, a vocação para a música se manifesta, e, aos 11 anos, escreve a primeira peça para a festa de Natal.

Até que a musica nos separe

Aos 16 anos Chiquinha se casa com um promissor empresário, escolhido pelo pai. O marido não gostava de música e encarava o piano como seu rival. Inquieta e determinada, Chiquinha abandona o casamento ao se apaixonar por outro homem. O escândalo resultou em ação judicial de divórcio perpétuo movida pelo marido no Tribunal Eclesiástico, por abandono do lar e adultério. Desassistida também pelo pai, aos 18 anos, Chiquinha precisa dar aulas de piano para sobreviver.

Atraente…

Sua primeira obra publicada é a polca Atraente, datada de 1877, um sucesso que, em poucos meses, chegou à 15ª edição.

Querida por todos

Quando se vê obrigada a sobreviver da música, após duas mal sucedidas uniões conjugais e o afastamento da família, passou a integrar o conjunto liderado por Joaquim Callado, o pai do choro, que lhe dedicou a peça “Querida por todos”.

O Abre Alas

Já era artista consagrada quando compôs, em 1899, na virada do século, a “marcha-rancho” Ó Abre Alas, que se transformou em hino do carnaval brasileiro.

Corta Jaca no Catete

Em 1914, o tango de sua autoria – Gaúcho – foi tocado pela primeira-dama do país, Nair de Teffé, em recepção oficial no Palácio do Catete, o que causou escândalo, mas redimiu os gêneros populares.

Meus direitos de autora

Como autora de músicas de sucesso, sobretudo pela divulgação nos palcos populares do teatro musicado, Chiquinha Gonzaga sofreu exploração abusiva de seu trabalho, o que fez com que tomasse a iniciativa de fundar, em 1917, a primeira sociedade protetora e arrecadadora de direitos autorais do país, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat).

Abram os céus

Atravessou a velhice ao lado de Joãozinho – João Batista Fernandes Lage -, 36 anos mais jovem. Deve-se a ele, que adotou o nome de João Batista Gonzaga e passava por filho adotivo, a preservação do acervo da compositora. Chiquinha Gonzaga faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de fevereiro de 1935, aos 87 anos de idade.

Créditos
Fonte: Google 

Esta exposição foi realizada a partir de conteúdos do Instituto Musica Brasilis e do Instituto Moreira Salles

Curadoria: Rosana Lanzelotte
Edição: Carol Gomes e Bia Gomes: Integrar
Vídeos extraídos dos espetáculos do II Circuito BNDES Musica Brasilis (2011) e VIII Circuito Musica Brasilis (2017)
Vídeo final (capas de partituras): Dani Ferrari
Legendas dos vídeos: Joe Cortez

Vídeos:
Falas Chiquinha Gonzaga – Helena Varvaki (atriz), Filomela Chiaradia (textos), Manoel Prazeres (direção cênica)
“Atraente” – Clara Sverner (piano)
“Entra firme, seu Manduca” da opereta Forrobodó (Lício Bruno (barítono) – Camerata Musica Brasilis – regência Ricardo Kanji)
“Gaúcho” – José Staneck (harmônica), Marina Spoladore (piano), Ricardo Santoro (violoncelo)

Imagens: Acervo Instituto Moreira Salles

Agradecimento: Edinha Diniz